quarta-feira, 17 de setembro de 2014

10 argumentos contra a intervenção militar. Ou: por que a democracia ainda é a melhor solução?

O vergonhoso governo do PT está fazendo com que o apoio à intervenção militar cresça de forma irresponsável no cenário político. Mas se o Brasil está tão ruim, por que ser contra um novo governo militar? Veja 10 respostas aqui.

A explosiva combinação entre corrupção, má gestão econômica, política externa arbitrária, e autoritarismo social, fez com que Dilma Rousseff  (PT) fosse a primeira presidente a entregar o Brasil pior do que encontrou. Nesse cenário caótico, as manifestações a favor de uma intervenção militar são cada vez mais frequentes. Segundo esta corrente política, somente a ação das Forças Armadas poderia salvar o país da iminência do comunismo.

Como bom defensor das liberdades individuais e do estado mínimo, não poderia deixar de explicar os principais motivos para ser contra um novo governo militar. Posso até perder alguns leitores, mas vamos lá:


POR QUE A INTERVENÇÃO MILITAR NÃO É A SOLUÇÃO PARA O BRASIL?

1 - Seria um desrespeito às instituições democráticas

Mesmo com o caos imperando em nosso país, é preciso ressaltar que foi a própria população que colocou o Partido dos Trabalhadores no poder, sendo seus membros eleitos legalmente através das instituições eleitorais; representando assim, uma considerável parcela do povo brasileiro. Infelizmente, não podemos fazer nada se as pessoas são idiotas-úteis ou ignorantes eleitorais.

Uma intervenção militar - embora fosse sanar muitos problemas decorrentes da canalhice petista, seria uma atitude revolucionária que colocaria em risco a saúde democrática de nosso país, que é tão cara aos conservadores e aos liberais de nossa quase-falida terra. 

2 - Não teria apoio popular

Diferentemente do que ocorreu em março de 1964, quando houve um expressivo apoio da população à contrarrevolução, incluindo nesse grupo instituições importantes como a mídia, a maçonaria, e a Igreja; o quadro político atual converge para um ódio generalizado às Forças Armadas, protagonizado por décadas de doutrinação socialista nas escolas e por um imaginário cultural de "tortura" e "desrespeito aos direitos humanos". Pois é. O trauma cultural da ditadura ainda persiste, e furar essa barreira seria um irreparável equívoco político para o Brasil.

3 - Poderia provocar uma guerra civil

Traumatizados com a censura outrora imposta pelos generais do passado, os grupos de comunicação hoje são, em sua maioria, radicalmente contra o governo militar, incluindo os nomes tradicionais como Folha, Estadão, Veja, e Globo (esta última inclusive, pediu recentemente desculpas pelo editorial de março de 1964 que enaltecia o golpe). Sem apoio da mídia - e também dos setores organizados como sindicatos, movimentos sociais, e agremiações estudantis; seria praticamente impossível uma coalizão militar permanecer ao poder sem provocar um descontentamento generalizado. Tal cenário poderia catalisar protestos violentos, levando o Brasil á uma guerra civil como ocorreu na Primavera Árabe egípcia.

4 - O capital estrangeiro iria sair do país, gerando uma profunda crise econômica

Em qualquer lugar do mundo, estabilidade política combina perfeitamente com estabilidade econômica. Se governos democráticos conseguem gerar um ambiente de confiança para que o capital externo se instale no país; governos instáveis, revolucionários ou imprevisíveis geram um clima de desconfiança, afugentando o capital estrangeiro. Desta forma, em caso de intervenção militar, o Risco Brasil dispararia quase que automaticamente, provocando uma aguda crise econômica.


6 - Iria isolar o Brasil no cenário internacional

A democracia é uma tendência mundial. A Organização das Nações Unidas (ONU), através do Fundo de Democracia das Nações Unidas (UNDEF) e do Conselho de Segurança repudia publicamente atitudes anti-democráticas ou ditatoriais, o que poderia isolar o Brasil em caso de intervenção militar. Além disso, o novo governo provavelmente não seria reconhecido pelos ricos e democráticos países da Europa Ocidental e da América do Norte, o que prejudicaria - e muito - as relações diplomáticas internacionais. 

7 - O novo governo militar não teria base para governar

No sistema republicano presidencialista no qual vivemos, o poder executivo - representado pela figura do Presidente da República, precisa necessariamente do Congresso (poder legislativo) para governar. Assim, para "botar a mão na massa", o Presidente deve estar subordinado às leis aprovadas na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. Justamente por isso, o Congresso "deve" ser majoritariamente ocupado pelo mesmo partido do Presidente, ou pelo menos por uma ampla base governista costurada através de acordos políticos. 

Como hoje só existem partidos de esquerda - comunistas, socialistas e sociais-democratas, um governo militar de direita não conseguiria governar sem dissolver o legislativo, como fez o General Costa e Silva em 1968, através do Ato Institucional 5 (AI-5).

8 - Poder demais abriria brechas para censura/abusos

Montesquieu acreditava que para coibir o absolutismo e a centralização autoritária de poder, seria necessário dividi-lo em três esferas distintas: o legislativo, o judiciário, e o executivo; que é o sistema é o que vigora no Brasil.  E, muito embora o PT tente constantemente aparelhar tais instâncias para fins particulares, esta divisão impede - pelo menos teoricamente - a concentração de poder, e garante uma certa saúde democrática. 

Muito provavelmente, uma intervenção militar concentraria poder nas mãos de um seleto grupo de generais, que dissolveriam o congresso [item anterior] e seriam responsáveis por governar sozinhos o país; abrindo brechas para censuras, assassinatos, perseguições, e sandices de todo tipo. Sim, os militares são humanos também. Você confiaria neles?

9 - O exército não aguentaria a pressão

O exército brasileiro atual não possui, nem de longe, o tamanho e a importância que tinha em 1964, ano da contrarrevolução, quando o mundo vivia no terror da Guerra Fria. Atualmente, as forças armadas vivem em um falso estado de pax mundial, estando desmoralizadas moralmente e materialmente, sem condições efetivas de combater. Provavelmente, um governo militar sofreria imensas pressões mundiais, como embargos e sanções econômicas, problemas de aceitação política e exclusão das organizações internacionais; e evidentemente, bastante pressão interna, como protestos acalorados, agitações de movimentos sociais, e boicote da mídia. Será que do jeito que está sucateado, aguentaria o tranco?

10 - Iria gerar o efeito contrário, fortalecendo o comunismo

O comunismo é uma ideologia internacional, fortemente solidificada no marxismo cultural, no Foro de São Paulo, nos remanescentes da KGB, e contraditoriamente, no crescimento econômico da China. Desta forma, seria de uma ingenuidade absurda acreditar que uma intervenção militar fosse livrar o Brasil da ameaça vermelha. Muito pelo contrário, a história prova que as proibições de partidos comunistas durante a Era Vargas (1930-1945) e durante a Ditadura Militar (1964-1985), paradoxalmente coincidiram com a ascensão do próprio comunismo no país! Portanto, partindo dos pressupostos de que o comunismo é global, e de que a proibição desta ideologia não surte efeitos práticos, uma intervenção militar seria inócua.

11 - Motivo bônus: Iria acabar com a direita no Brasil

Um dos maiores obstáculos ao crescimento da oposição liberal-conservadora no Brasil é a equivocada associação entre "ditadura" e "direita" por  parte da população. Por vigarice intelectual ou por pura falta de conhecimento, todas as bobagens feitas pelos militares, como torturas e assassinatos, foram debitadas na conta da direita. Se houvesse um novo governo militar, possivelmente novas bobagens seriam feitas [como já citado nos itens anteriores], fertilizando ainda mais o imaginário popular e enterrando de vez a possibilidade de uma direita democrática governar o país.

CONCLUSÃO

Mesmo com a real e iminente ameaça comunista, uma intervenção militar seria a pior forma de (des)arrumar a casa. Para que o Brasil se desenvolva é necessário uma democracia liberal, pautada no livre mercado e na sabedoria adquirida através do hábito e da tradição, além do respeito à democracia adquirida pela geração de nossos pais. Uma nova ditadura só mergulharia o país no caos, aumentando o poder do estado, afundando a economia, eliminando as liberdades individuais, abrindo brechas para a concentração de poder, e provocando um descontentamento generalizado.

CONCLUSÃO RESUMIDA:

PAREM DE APOIAR A INTERVENÇÃO MILITAR, E VOTEM DIREITO, CAZZO!
Comentários
10 Comentários

10 comentários :

  1. Senhores do DÍARIO DE UM EX-COMUNISTA, dir-lhes-ei uma frase de Paulo Maluf sobre Seguranças Públicas: "TINHA ROTA NA RUA". Mas não basta a ROTA nas ruas, os Juizados de Menores precisam rondar as ruas 24 horas por dia, principalmente à noite, da mesma forma que os Ministérios Públicos e outros órgãos judiciários, pois antigamente, até as Carrocinhas rondavam as ruas 24 horas por dia. Rua não é lugar de criança, nem de animal, mas de Polícias, Juizados de Menores, CETs e outros órgãos estatais. Adolescência não é época para namorar (demonstrar afetos, como afagos (carícias), amplexos (abraços), cócegas, ósculos (beijos) e outros), trabalhar, conduzir veículos motores e assim sucessivamente, mas para cursar SENAIs, cantar num Coro "Meninas Cantoras de Petrópolis" ou num "Meninos Cantores de Viena", fazer ENEMs, participar de desfiles cívico-militares e assim sucessivamente. Por isso, as Justiças têm de estar acima dos Amores, assim como eles têm de estar acima das Afetividades e das Intimidades, pois Amores sem Justiças são Conivências ou Impunidades e Afetividades ou Intimidades sem Amores são Assédios, Hipocrisias, Molestamentos ou Traições. Agradeço-lhes de todo o meu coração! Obrigado!

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  2. Boa noite amigo, Gostei muito do conteúdo do seu blog, mas permita-me discordar quanto a questão da intervenção militar. Uma intervenção já não é opção e sim 100% necessária para este momento atual do Brasil. E novamente peço desculpas, mas discordo de todos os seus argumentos contrários a intervenção.

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  3. Concordo com vc. Intervenção militar só pioraria as coisas. Creio que só uma profunda mudança cultural de longo prazo na população brasileira poderia reverter a situação caótica em que nos encontramos. Não acho que é uma questão de votar certo pois não há político sério ou honesto ou com boas ideias no cenário político brasileiro em quem podemos confiar e votar. A podridão tomou conta de tudo.

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  4. Ainda é perigoso fazer uma crítica ao período da ditadura militar que o país enfrentou mesmo em um período pós-ditatorial e mesmo com a Comissão da Verdade. Atualmente, a Polícia Militar é um dos órgãos que mais admite homens e mulheres ao aparelho de Estado na condição de funcionários fixos, assegurando-lhes a tão desejada estabilidade profissional e econômica da modernidade. Mas que parcela desta geração atual vislumbraria uma utopia futurista marcada pelo retorno do militares ao poder da nação? Aqueles que têm sede de um sentido de ordem e organização como eu, mas eu não desejo o retorno deles. O caos extremo do tempo presente nos faz sentir esta sede.

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  5. Mas se não houver uma intervenção agora, podemos esquecer esse Brasil que conhecemos!
    Você diz: - A saída é votar direito. Pergunto: Votar em quem para mudar para essa democracia liberal, pautada no livre mercado com sabedoria e tudo mais?
    Veja a situação com clareza, o Brasil acabou...precisa socorro urgente.

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  6. Com certeza voce perdera muitos leitores. Voce expoe os motivos contar a intervencao militar e no entanto dá ao entender que o Brasil ta ferrado. Voce dizer o que pode acontece(parece a Dilama combatendo com Aécio e se protegendo trapaceiramente antes das eleicoes e após ganhar desonestamente as eleicoes mostra a merda em que o país esta): Caro escritor, sem a intervencao militar já estamos vivendo tiudo que voce menciona em seu texto, este nao é o país das maravilhas que a Dilama mostra ou voce acreditou nesta farsa toda ou é um político tentando manipular o povo? Sim, agora políticos generalizando a raca já estao borrando as calcas de medo, porque todos tem rabo preso, creio que nós preferimos estar a merce de uma intervncao militar do que estar nas maos do diabo. A ÉPOCA MILITAR FOI RUIM PRA QUEM ERA VAGABUNDO, LADRAO, ARRUACEIRO, PREGUICOSO SAFADOSetc... COMO A ÜPOLITICAGEM BRASILEIRA. Ditadura militar de 64 nao se pode fazer comparacoes com uma intervencao militar nos dias atuais 2014, voce se esquece da evolucao humana? Os militares daquela época deram ao Brasil economia; obras, saude, educacao, patriotismo e moral, trabalho, justica etc... E o que temos agora; um monte de escandalos que todos os dias , horas e minutos aparecem em 13 anos de desgoverno aparecem e agora caminhamos para a real porta do inferno:::: nós queremos a intervencao militar aceitamos correr os riscos dos seus argumentos e consequências se faltar soldados, com certeza apareceram muitos voluntários, melhor estar ao lado do diabo do que nas maos dele, é assim que podemos derrubar o governo nos aliando a intervencao militar e se eles como argumenta forem isso, vao ter uma boa guerra civil no Brasil

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  7. Concordo com a maioria dos argumentos do autor em quase todas as postagens daqui do Diário. No entanto conheço algumas histórias de amigos e familiares que desapareceram na época da ditadura e não eram assaltante, sequestradores etc. Não poder conversar com um amigo sobre o que penso em relação a determinada atitude do governo não é um preço que eu pagaria.

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  8. Estranho... o seguinte texto, apesar de estar no futuro do pretérito, parece uma descrição perfeita da nossa atualidade...:"Uma nova ditadura só mergulharia o país no caos, aumentando o poder do estado, afundando a economia, eliminando as liberdades individuais, abrindo brechas para a concentração de poder, e provocando um descontentamento generalizado." Por que será???

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  9. Eu acredito que este blog está tentando manipular os leitores. Prefiro correr o risco de um regime militar do que ver meu país cair em abismo sem volta. Depois que comunistas tomam poder não tem mais conversa, não tem mais como voltar atrás. Eles são intolerantes, fuzilamento e matam seu povo, de bem, isso sim é ditadura. Vejam o que a Venezuela está passando, Cuba então nem se fala.

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