segunda-feira, 26 de maio de 2014

O que ninguém diz sobre a Copa

O problema não é a Copa em si, mas sim o intervencionismo excessivo do governo na condução dos gastos do mundial. Dilma, chega de brincar de Sim City por aí...

O Brasil está ansioso para receber a Copa do Mundo. A última vez que o mundial foi disputado no país foi há 64 anos, em 1950. Certamente, será um momento histórico que dará visibilidade global à República da Banana, mas que também está custando muitas verdinhas. Não me refiro ao gramado, mas sim aos bilhões de reais que os "contribuintes" estão "contribuindo" para os caprichos deste empreendimento esportivo. Mas afinal, por que tanto se critica a Copa? É legítimo o estado gastar nosso dinheiro a torto e a direito?

A população está cansada. Enquanto reclama de falta de saúde, educação e segurança, professores, policiais, e motoristas de ônibus alardeiam o país com suas greves. Para o professor de ciência política da Unesp e da PUC de São Paulo, Antonio Carlos Mazzeo, a proximidade com a Copa está sendo utilizada como ferramenta de pressão: “é um momento em que o Brasil está em evidência no cenário internacional. Isso faz parte do jogo político-democrático.” afirma. Entre saques e paralisações, o país está na lama. Fica a questão: protestar pelo #VaiTerCopa ou pelo #NãoVaiTerCopa?

Greve de policiais em Recife (PE). O Exército precisou intervir para botar ordem. Grevistas utilizam a Copa como pressão política. 

De acordo com a Matriz de Responsabilidades - documento que reúne informações sobre a Copa, o custo do mundial é de R$26 bilhões, podendo chegar a R$30 bilhões, no qual R$9 bilhões estão sendo investidos em estádios. Serão quatro arenas-fantasma, nas cidades de Manaus (AM) - que está encravada na floresta amazônica, e Cuiabá (MT), famosa pelos cortes de gado, além de Brasília e Natal. Segundo pesquisa conduzida pelo Instituto Dinamarquês de Estudos do Esporte (IDEE), estes quatro estádios, que estarão novinhos em folha, serão verdadeiros elefantes-branco após o mundial. Ficarão praticamente vazios com os campeonatos locais da série B e C, que agregam de 2.100 mil a 4.500 mil torcedores, afirma estudo.
Além disso, a pressa é inimiga da perfeição e aliada da corrupção. O Regime Diferenciado de Contratações Públicas - RDC (Lei Nº 12.462/2011), instaurado pelo governo Dilma, flexibiliza as licitações para a realização da Copa, abrindo brechas para afrouxar a fiscalização e estimular o gasto desenfreado de recursos públicos. Na prática, o RDC pode beneficiar as grandes construtoras - financiadoras de campanha do PT, e engrossar os esquemas de corrupção. A lógica do mercado diz: quando está com pressa, paga-se qualquer coisa, e em qualquer condição! Quem paga? Nós!

Já disse neste blog [aqui e aqui] que, ao contrário do que prega o senso comum, o mau uso do dinheiro público não é a exceção, mas sim representa a coisa mais comum do mundo. Como diz Rodrigo Constantino, quando políticos gerenciam o "dinheiro dos outros" - isto é, o dinheiro público, utilizam-no de qualquer jeito, sem tomar os devidos cuidados que tomariam se manipulassem capital privado. 

Localização da Arena da Amazônia no Google (1:100.000). Precisa dizer algo mais?

Tá bom, é verdade: o governo também está investindo em obras que ficarão acessíveis a população após a Copa, como nas áreas de transporte, segurança, telecomunicações e turismo. Todo mundo concorda que o Brasil carece de infraestrutura, mas será que é papel do estado ficar brincando de Sim City com os recursos públicos?

Á quem interessa a Copa do Mundo?

Apesar de todas as ácidas críticas constantemente proferidas em relação à Copa, a realização do mundial não pode ser vista com maus olhos. O que deve ser posto em xeque - e que ninguém está fazendo, é o papel do governo nesta empreitada. Desde que a iniciativa privada arque com todos os riscos, e todos os eventuais lucros ou prejuízos, pode fazer quantas copas quiser! Desde que meu imposto de renda não vire estádio na floresta, e que não acabe na cueca de algum político. 

O modelo de estado atual - intervencionista e superprotetor, desestimula a livre iniciativa e barra o empreendedorismo com seu inchaço burocrático. Se houvesse MENOS intervenção, era só deixar a iniciativa privada bancar rodovias, portos, aeroportos e estádios, deixando nosso dinheiro em paz, longe da corrupção e da ineficiência governamental.

Se não for com meu dinheiro, tanto faz ter uma Copa a cada 64 anos ou uma Copa por mês!

Fontes:

http://correiodobrasil.com.br/noticias/brasil/especialistas-afirmam-que-greves-devem-continuar-durante-e-depois-da-copa/706168/

http://www.estadao.com.br/noticias/esportes,custo-da-copa-bate-em-r-26-bilhoes-de-acordo-com-matriz-de-responsabilidade,1136971,0.htm

http://copadomundo.uol.com.br/noticias/redacao/2012/10/24/quatro-dos-12-estadios-da-copa-devem-ser-elefantes-brancos-apos-torneio-diz-estudo.htm

http://www.brasil.gov.br/governo/2014/05/grandes-investimentos-ficarao-para-a-populacao-apos-a-copa

http://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2014-04/camara-aprova-regime-diferenciado-de-contratacao-sem-restricoes

http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/o-pais-quer-saber/o-que-e-quem-esta-por-tras-da-ampliacao-do-regime-diferenciado-de-contratacoes/

Comentários
4 Comentários

4 comentários :

  1. Muito boa sua análise, parabéns!
    Deixaram o potencial turístico que Florianópolis tinha de lado e preferiram investir numa cidade no meio da mata...
    Este governo realmente não presta, são muito incompetentes.

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    1. Realmente, Santa Catarina tem um imenso potencial turístico, mas acho que nesse sentido a Amazônia também tem.

      O problema é que Manaus não é uma cidade com "tradição futebolística". Depois da Copa, o estádio vai ficar abandonado...

      E obrigado por gostar do artigo!

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