domingo, 6 de outubro de 2013

A falácia da desigualdade social

Ser contra a desigualdade social é dizer que os poucos ricos têm muito e os muitos pobres têm pouco. É uma frase carregada de falácias, bonitinha mas ordinária. Na verdade, o que define a miserabilidade do pobre é a sua condição absoluta de escassez, e não a comparação relativa com a grama do vizinho.

Não sabe o que falar em uma rodinha de amiguinhos universitários? Critique a desigualdade social e diga que o problema do nosso país é a (má) distribuição de renda. Isso funcionará bem em 105% dos casos. Porém, se você dispuser de uma barbinha e um óculos de armação grossa, isso funcionará bem em 120% dos casos. Uau! Bancou o inteligente!

Isso não funcionaria na Inglaterra dos anos 80. Certa vez, a primeira ministra britânica Margaret Thatcher foi duramente questionada por um deputado. Acusava ele, que em seu governo, o o abismo entre os 10% mais ricos e os 10% mais pobres tinha aumentado, elevando assim, a desigualdade social. Com toda a calma do mundo, Thatcher respondeu: "Senhor deputado, todos os níveis financeiros estão melhores do que estavam em 1979. O que o honrado membro está falando é que preferia que os pobres fossem mais pobres, para que os ricos fossem menos ricos". 

Brilhante resposta de Thatcher aos opositores: O que importa é a condição absoluta dos pobres, e não a relativa. A desigualdade não interessa.

O que a ministra estava dizendo é que pouco importa a diferença relativa entre os ricos e os pobres. O que realmente põe o pão na mesa é a condição absoluta do pobre. Se eu tenho um feijãozinho para comer, de que me importa se meu vizinho come caviar? Ora, prefiro dirigir uma Brasília e ver meu chefe dirigir uma Ferrari do que nós dois irmos trabalhar a pé. Como diz Friedrich Hayek, desigualdade "social" é desigualdade "material". O termo "social" é para despertar nossa compaixão. Mas esquerdistas, acreditem, queremos a erradicação da pobreza tanto quanto vocês.

Leitor, imagine dois países fictícios: Desigualândia, país desenvolvido com grande desigualdade social, e Pobrequistão, país miserável com baixa desigualdade social. E aí? Onde você moraria?

Apesar da desigualdade social acentuada, os pobres vivem melhor em Desigualândia do que em Pobrequistão. Além disso, a concentração de renda em Desigualândia acarreta em mais investimentos para o país.


Mises: sem desigualdade 
não há investimento. 
E sem investimento 

não há progresso.
Esta visão foi amplamente estudada pelo austríaco Ludvig Von Mises. O economista apontava que a união entre a concentração de renda individual e o investimento proporcionava empregos e dinamizava a economia. Ou seja, para investir é necessário juntar dinheiro, e juntar dinheiro seria impossível em uma economia planificada. O próprio Marx - que tanto criticamos aqui, chegou a reconhecer em seu clássico "O Capital", que a Revolução Industrial - que tanto contribuiu para a melhoria dos padrões de vida da população, só ocorreu devido à concentração de renda e à investimentos prévios. Marx chamou este processo de "acumulação primitiva de capital". Enfim, se todos ganhassem um quilo de farinha por mês, estariam comendo farinha até hoje...

Eu sei que Robin Hood é muito legal, mas não é açoitando os ricos e doando aos pobres que se desenvolve uma nação. Para a situação caótica dos países africanos aos miseráveis que clamam por uma solução aqui nas terras brasileiras, é preciso muito trabalho e investimento, ambientados em regimes políticos sólidos e democráticos, além de generosas aberturas econômicas. É preciso erradicar a pobreza não pelas garras do estado, mas através da abundância de empregos e da caridade das instituições, mesmo que isso não contribua ou acirre as desigualdades materiais.

Trocando em miúdos, se eu tenho meu franguinho na panela (como diria Lourenço e Lourival), por que motivos invejarei o caviar de Zeca Pagodinho?

Fontes:
Karl Marx: O Capital
Ludvig von Mises: As Seis Lições (procure o ebook na internet, paspalho!!)
http://www.youtube.com/channel/UCJqOdpqndf1MPequlvDgGkA?feature=watch

Comentários
18 Comentários

18 comentários :

  1. Brilhante alusão a dualidade dos países desiguelandia e pobrequistão. Eu acho que falta é isto nas pessoas hoje em dia, a facilidade de entender-se algo a partir de exemplos claros e práticos. Muito bom o blog, continue assim, pois como o próprio nome do blog convoca, eu também sou um ex esquerdista e acredite, dexei de ser por causa de minha formação acadêmica de ... ..... Sociologia. Sim, eu sou um sociólogo liberal clássico. Tornei-me um por pura culpa de Roberto Campos enquanto cursava a cadeira de economia. Agora vivo numa contradição de mão dupla. Nao sei se eu perdi tempo fazendo Sociologia, ou sou grato a ela por ter me trazido a realidade frente minhas ''certezas" sociais. Taí um resumo desses 4 anos e meio de faculdade, aprendi a cuidar de mim em vez de querer que os outros vivessem da minha maneira. Eu queria mundar o mundo, achando que meus ideais eram os corretos, quando na verdade percebi que estava adentrando sem perceber num universo perigoso de "justiça social".

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    1. É uma pena ver as universidades dominadas por esquerdistas, mas isso não torna a sociologia menos importante ou menos interessante do que ela é. Conhecimento nunca é demais: bem ou mal, esses anos de graduação te deram uma visão de mundo e te formaram como profissional e como pessoa.

      Parabéns por pensar com sua própria cabeça, fora dos moldes acadêmicos tradicionais! E obrigado pelo incentivo ao blog.

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  2. Isso é treta. Os pobres têm de ser ajudados pelo Governo. Não tem piada nenhuma, um rico ficar cada vez rico, porque anda a roubar o governo, e os pobres a passar fome, ou a contar tostões como em Portugal.

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    1. Tanto para os "direitistas" - não gosto desse termo mas tudo bem, quanto para os esquerdistas, a pobreza é um mal que deve ser eliminado. Ninguém é a favor da pobreza ou da fome.

      Quando temos um país livre e democrático, que recebe investimentos privados, temos a circulação de capital e milhões de empregos são gerados. Os pobres são os maiores beneficiados com um sistema de livre mercado.

      Em contrapartida, acho que o governo deve ajudar sim. Desde que bem utilizada, acho bem interessante a ideia de imposto de renda negativo do Milton Freedman por exemplo.

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    2. Tem outra coisa também, se o cara é rico por roubar do governo, isso não é um problema do Liberalismo e do Capitalismo, isso é um problema de CORRUPÇÃO.

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  3. Resolver o problema da pobreza é fácil. Substitua o vitimismo pelo trabalho. Trabalho duro e sério resolve o problema. Mesmo que não fique rico, não vai morrer de fome.

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    1. Ao contrário do Marx fala, o desemprego é fruto direto da intervenção do governo.

      Quando você tem um país livre, com poucos impostos e sem legislações trabalhistas absurdas, a tendência é que todos sejam absorvidos pelo mercado. Eu prefiro contratar 2 pessoas por 500 reais do que 1 por mil reais. Ou ainda, contratar 4 pessoas por 250 reais.

      Parece desumano, mas assim todos teriam emprego. E com o tempo, essas pessoas iriam se qualificando e assim iriam exigindo melhores salários. Isso aconteceu na Inglaterra e na Alemanha, que hoje são países desenvolvidos.

      Mas se o governo intervém demais, ele cria dificuldades para o emprego, como no caso da PEC das domésticas. O cara que tinha uma empregada e não pode pagar mais vai ter que mandá-la embora.

      O PRÓPRIO GOVERNO causa o desemprego e o PRÓPRIO GOVERNO cria os programas sociais para corrigir seus erros.

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    2. Se trabalhar enriquecesse, os cortadores de cana viveriam todos na maior opulência, já experimentou cortar cana no sol a sol e ganhar por produção? O que vemos são homens que morrem de exaustão, vivem em condições indignas, e aí vão dizer que passam necessidade por que são vagabundos?

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    3. Toda a riqueza que não envolva roubos ou furtos é originária do trabalho. Não existe dinheiro caindo do céu.

      Não estou negando que cortar cana é ruim. Já citei aqui no blog o exemplo que Mises dá para o caso dos operários da revolução industrial. Trabalhar 15 horas por dia é ruim? Claro que é! Mas é melhor do que morrer de fome SEM emprego.

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    4. Seguindo essa lógica, os brancos seriam muito mais trabalhadores que os negros, já que os negros tem muito mais presença em empregos de baixo salário e os brancos muito mais presença em empregos de alta qualificação:

      Lixeiros:
      http://pt.globalvoicesonline.org/wp-content/uploads/2014/03/1964910_284530675038418_164829884_n.jpg

      Médicos:
      http://veja2.abrilm.com.br/assets/images/2013/7/164986/imagens-do-dia-best-pictures-of-day-20130731-60-size-598.jpg?1375292038

      Acho que não é por falta de anos de trabalho árduo que os negros não sobem na vida...

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    5. Inicialmente: Não temos apenas negro cortando cana.
      Para melhorar sua qualificação, o trabalhador necessita estudar. E para estudar, necessita vontade.
      Foi o que fez um pedreiro virar advogado.

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  4. Na verdade, a pobreza relativa é sim importante.

    No mundo, todos produzimos, não importa se é o trabalhador do chão de fábrica ou o engenheiro. O ser humano é cada vez mais produtivo, e é ridículo afirmar que os mais pobres devem ficar com as migalhas da riqueza que, novamente, é produzida por TODOS. Por mais que os pobres tenham acesso mais barato aos meios de vida, defender que a riqueza cresça, mas fique mais concentrada, beira a psicopatia.

    Você é um ex esquerdista, mas não sabe nada de esquerda. O que define se um país é rico ou não é o desenvolvimento dos fatores de produção, e eles foram maiores nos países que hoje são capitalistas desenvolvidos. Os países socialistas, a maioria, teve que começar tudo do zero. E mesmo assim, alguns foram longe.

    Ainda vivo vou ver o socialismo despontar no mundo desenvolvido, e você vai ter que calar a boca.

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    1. "mais pobres devem ficar com as migalhas da riqueza". Isso chama-se COMUNISMO. No capitalismo os pobres tem roupas, calorias baratas, televisão, smartphone, internet banda larga e coca cola gelada.

      "é produzida por TODOS". É por isso que existem salários, para PAGAR pelo trabalho produzido, ora porra!

      "beira a psicopatia". Que tal uma passagem SOMENTE DE IDA pra Coréia do Norte para você experimentar as maravilhas da economia planificada? Leve uma graninha pra cortar o cabelo igual Kim!

      "O que define se um país é rico ou não é o desenvolvimento dos fatores de produção, e eles foram maiores nos países que hoje são capitalistas desenvolvidos". Nossa! Não me diga! Descobriu a América!

      "Os países socialistas, a maioria, teve que começar tudo do zero". É, quando os europeus chegaram aos EUA no séc. XVI, já existia Burger King e Microsoft pros colonizadores! Porra, vá ler Tocqueville!

      "E mesmo assim, alguns foram longe". Depois de 130 milhões de mortos, foi longe demais!

      "Ainda vivo vou ver o socialismo despontar no mundo desenvolvido". Pode ficar feliz! Obama está aí.

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  5. "Isso chama-se COMUNISMO" Não, é capitalismo mesmo. A riqueza está cada vez mais concentrada, apesar do mundo ser rico como nunca foi. Existem países ricos e países pobres, e mesmo nos países ricos a diferença entre a riqueza de alguns e da maioria é algo inadmissível.

    "É por isso que existem salários, para PAGAR pelo trabalho produzido, ora porra!" Se todos tivessem direito a terem tudo o que produzem (por exemplo, se pudesse ser possível todo mundo ser profissional liberal), não haveria motivo em falar em exploração. Mas há trabalhos em que as pessoas não ganham nem dez por cento do que produzem, enquanto alguém acima na hierarquia não faz nem um terço do trabalho (às vezes não faz nada mesmo) e se apropria do que os subordinados produzem. A solução dada por vocês? "Se esforce, produza mais, assim você um dia você vai chegar na posição do explorador!"

    "Que tal uma passagem SOMENTE DE IDA pra Coréia do Norte para você experimentar as maravilhas da economia planificada? Leve uma graninha pra cortar o cabelo igual Kim!" Coreia do Norte é uma autocracia disfuncional, e corrupta (todos os meios de se comunicar com os nortecoreanos está centralizado no governo). Não é um bom exemplo de socialismo, e há quem diga que não há quase nada de socialismo nesse regime. Mas eu te digo que economia centralmente planificada NÃO é o único meio de fazer socialismo que existe.

    "Nossa! Não me diga! Descobriu a América!" Então, se o "socialismo" só distribuiu pobreza, pois não tem fatores de produção, como você afirma com toda certeza do mundo que não daria certo em condições um pouco melhores?

    "Depois de 130 milhões de mortos, foi longe demais!" Nossa, aumentou os números novamente. Eram 80 milhões até pouco tempo :P

    "Pode ficar feliz! Obama está aí." Oh, me diga porque implantar saúde pública é socialismo? Não há mais defesa da propriedade privada, iniciativa liberal? Obama por acaso está coletivizando a economia, retirando empresários dos seus postos e colocando os trabalhadores no lugar, comunizando a terra, colocando homeless em imóveis desocupados, estatizando serviços?

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    1. "A riqueza está cada vez mais concentrada" - A concentração de renda nos países comunistas é/foi MUITO MAIOR do que nos países livres. Quando a URSS, já com a população miserável, se abriu ao capitalismo nos anos 1990, os políticos foram os PRIMEIROS E ÚNICOS a comprarem as falidas estatais. Em um país capitalista normal, existem VÁRIAS classes sociais distintas, mas no comunismo SOMENTE DUAS: a população miserável e os políticos ricos.

      Em um mundo perfeito cor de rosa, seria ótimo se não houvesse pobreza. Mas NÃO É O COMUNISMO QUE IRÁ RESOLVÊ-LA. Muito pelo contrário, GRAÇAS AO CAPITALISMO UM FAVELADO HOJE VIVE MELHOR DO QUE UM SENHOR FEUDAL NA IDADE MÉDIA.

      "diferença entre a riqueza de alguns e da maioria é algo inadmissível.". Releia o texto. Você preferiria morar em Pobrequistão ou em Desigualândia?

      "Mas há trabalhos em que as pessoas não ganham nem dez por cento do que produzem, enquanto alguém acima na hierarquia não faz nem um terço do trabalho". Se ser "alguém acima" fosse tão fácil assim, só existiram patrões!O cara POUPA seu dinheiro enquanto todos estão torrando; ASSUME PARA SI o risco de perder todo o seu patrimônio; ASSUME riscos trabalhistas, ambientais e econômicos; GERA empregos e riqueza e FORNECE A POPULAÇÃO produtos bons e baratos. E o culpado pela pobreza é o "cara que não faz nada"!? Sem ele NÃO HAVERIAM EMPREGOS E NEM RIQUEZA.

      "Se esforce, produza mais, assim você um dia você vai chegar na posição do explorador!" Qual é o problema disso?

      "Não é um bom exemplo de socialismo, e há quem diga que não há quase nada de socialismo nesse regime". O socialismo pleno é IMPOSSÍVEL. Isso Mises já falava nos anos 30 e ninguém dava atenção. Existe uma distinção entre CAPITALISMO (trocas econômicas naturais do ser humano) e COMUNISMO/SOCIALISMO (sistemas políticos). Economicamente, NADA É DIFERENTE DE CAPITALISMO. Nos governos socialistas, você tem DIFERENTES GRAUS de capitalismo, e NUNCA a ausência total de capitalismo. Lenin sabia disso, Gorbachev sabia disso, Kim sabe disso, e até Fidel.

      "Então, se o "socialismo" só distribuiu pobreza, pois não tem fatores de produção, como você afirma com toda certeza do mundo que não daria certo em condições um pouco melhores?" Porque socialismo é contra a natureza humana! é IMPOSSÍVEL DE ACONTECER. Mises diz isso, Friedman diz isso, Smith diz isso. É só entender UM POUQUINHO de economia e de história para saber que nunca funcionará.

      "Eram 80 milhões até pouco tempo :P" E 80 milhões não é pouca coisa, rs

      Quanto às perguntas do Obama, Bastiat dizia que as políticas de esquerda possuem três níveis: Intervencionismo (mais leve), Socialismo (moderado) e Comunismo (radical). Implantar saúde pública não é socialismo no sentido stricto, mas é intervencionismo estatal. O estado NÃO DEVE ter um sistema de saúde próprio, deve no máximo, fornecer vauchers para pessoas pobres se tratarem em hospitais privados.

      Quanto a iniciativa liberal, saiba que graças a Obama, os EUA caíram várias posições no Ranking de liberdade econômica da Heritage Foundation. O estado está cada vez mais intervindo na economia, sobretudo após a crise de 2008, estatizando empresas e salvando bancos da falência.

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    2. Marcos, me desculpe mas qual é um bom exemplo de Socialismo?

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  6. A desigualdade é falácia ou o discurso que a defende é que é assim?

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  7. Falta uma coisa na sua análise. Se esqueceu que a desigualdade é proporcional. Ex: vc separou os ricos dos pobres da desigualandia. E deu a entender q os pobres tem mais dinheiro que no pobrestão. Sim perfeito, mas não mede a desigualdade entre os próprios pobres entendeu. Se analisarmos num caso do tipo, veríamos que entre os pobres da desigualandia q alguns estariam comendo frango, outros pão e outros sopa de pedra. Na minha opinião, sua análise usou de um argumento q vc mesmo queria combater. Não percebeu a desigualdade no meio dos pobres e defendeu sem querer q existiria uma igualdade entre eles.

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